Minha pequena, amiga lá do quintal, pitangueira..Exilada pelas flores no centro, rodeada do cheirinho barrento,tão gostoso de trazer umidade pro olho arregalado, surpresa criada pelo já acabado.Como se quanto mais velhas as pitangas ficassem, mais maduras se tornavam. Ai é que chegavam os sabiás, cantando vantagem sobre todos do jardim, mas quando o céu, depois de tanto apanhar da lavoura ,arroxeava,curvavam as asinhas vaidosas para o único monumento capaz de propagá-los na inocência.Pitangueira, armazém mais famoso da cidade.Protegia todas as lembranças contra o tempo,ávido por desmanchá-las junto ao aroma da mandioca , constantemente a escapar pelo murinho lá de trás.Não raro era leito de gatos famintos.Não que lhes escasseasse tigelinha de leite ou sobras de sarjetas quentes ásperas, mas dignidade faz falta pro peito,assim como condescendência aos tímpanos.De vez em quando, minha pitangueira queria descanso,tardes em que os besouros combinavam com o vento um arranjo de zum zuns carregados por brisas ligeiras.A clave de Sol era a beleza de uma borboleta reprimida por sua leveza pesarosa.A sinfonia englobava a árvore em uma balançar sereno,digno de tirar o chapéu de couro mais caro que fosse. Uma vez, durante uma madrugada esquisitíssima , uma frutinha bichou, e o restante do laranja foi se despedindo gradativamente de todas suas irmãs. As reverências dos passarinhos sumiram, as lembranças se converteram em uma nova identidade, os gatos procuraram novos ombros...música??Nunca mais ouvi falar da melodia festeira.Tudo foi coberto por gélida cegueira.Mas serás sempre essencial pra mim, minha colorida pitangueira.
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